sábado, 8 de outubro de 2016

Memorial do Muro de Berlim

 
Mural que fica ao lado de onde antes estava o muro. 
Qual a primeira coisa que vem à mente quando alguém fala em Berlim? O muro! E apesar dele não existir mais como uma barreira física, uma parte dele foi preservada e encontra-se aberta para visitação. Não é possível sair dessa visita sem se emocionar com o quanto esse muro foi uma ferida aberta na Alemanha. E, justamente por ter feito parte de um passado ainda um muito recente, é possível encontrarmos por aqui pessoas que vivenciaram essa história. 
 Após a segunda guerra, a Alemanha permaneceria dividida até 1989 integrando blocos econômicos opostos. De um lado a Alemanha Ocidental e de outro a Alemanha Oriental (conhecida como DDR).
Após a divisão, muitos alemães do lado Oriental fugiram para o lado Ocidental até o ponto que, em 1961, a Alemanha Oriental tinha perdido 1/6 de sua população.
Nesse contexto, o governo da DDR começou em agosto do mesmo ano a construção do muro. No início, era apenas uma cerca de arame farpado e as pessoas ainda podiam observar o outro lado e conversar com seus amigos e familiares. No decorrer dos anos mais e mais barreiras foram construídas, já que as tentativas de fuga não foram interrompidas. Na época, os guardas da DDR tinham a ordem de impedir as fugas a qualquer custo, e, caso não fosse possível a captura, que atirassem para matar.
marcação no chão mostra o local onde passava
o muro
Pelo menos 138 pessoas morreram por causas relacionadas diretamente ao muro.
- 100 pessoas morreram tentando fugir.
- 30 não tinham intenção de fugir e foram alvejadas ou morreram por acidente
- 8 soldados da fronteira morreram em serviço enquanto tentavam evitar as fugas.
vista através do muro

Um dos casos que mais me emocionou foi o da sra Ida Siekmann. O muro de Berlim cruzava a cidade, mas uma rua foi afetada de maneira bem particular: A Bernauerstr.
Essa rua foi cortada pelo muro de modo que metade dela ficava do lado Ocidental e a metade depois do numero 50 ficava do lado Ocidental. O número 48 ficava bem na divisa e, apesar dele pertencer ao lado Oriental, tinha uma entrada pelo lado Ocidental. A sra Ida morava nesse prédio sozinha e, todos os dias, ia visitar sua irmã do outro lado. Até que um dia, a polícia lacrou as saídas e começou efetivamente a divisão. Impedidas de cruzar a barreira, muitas pessoas escaparam pelas janelas, com cordas ou pulando, enquanto os bombeiros do lado Ocidental tentavam resgatá-las. No dia seguinte à proibição, a sra Ida foi até a janela do seu apartamento no 3 andar, jogou seus pertences e pulou. Ela foi a primeira fatalidade causada pelo muro.

marcação no chão de onde ficava o muro
A divisão da cidade pelo muro também teve um efeito nas linhas de transporte da época, já que algumas linhas saíam da Berlim Ocidental e cruzavam pela Oriental, antes de retornar. Essas linhas continuaram funcionando, mas elas não podiam mais parar nas estações do lado Oriental. Criaram-se assim as "Estações Fantasmas", onde os trens apenas diminuíam sua velocidade mas não paravam e apenas guardas vigiavam o local para evitar fugas pelos túneis. Uma dessas estações é a Nordbanhof e existe uma exposição com fotos na estação falando sobre esse tema. O curioso é que nem só os cidadãos comuns tentavam fugir, mas também os guardas. Por isso criaram-se barreiras também dentro das estações para tentar evitar esses episódios.
 
Prédio do Memorial
 Atualmente, apenas pequenos trechos do muro encontram-se preservados e estão abertos à visitação, como esse que fica no memorial do muro, mas enquanto se passeia pela cidade é possível cruzar por marcações no chão que mostram os locais onde ele estava.
 Além do memorial a céu aberto, é possível também visitar o prédio que fica em frente, cuja entrada é gratuita, e que possui muitos documentos, fotos e vídeos da época. O vídeo que mostra o dia da queda muro é de arrepiar. Impossível assistir e não se sentir tocado. Pegando o elevador até o terraço, consegue-se ver um pequeno trecho do muro que não é aberto a visitação e que foi preservado exatamente como era, com todos os seus bloqueios e torre de vigia.

Escultura da Reconciliação

  Ainda na mesma região, ficam a capela da Reconciliação e a escultura da reconciliação. Bem na "faixa da morte" do muro ficava uma capela protestante que tornou-se inacessível devido à sua localização e acabou sendo, posteriormente, demolida. Com a reunificação, uma nova capela foi construída sobre as fundações da antiga. Em frente à ela fica uma escultura belíssima de Josefina de Vasconcellos. Existem cópias dessa escultura em locais que foram profundamente afetados pela Segunda Guerra, como Hiroshima e Berlim.


Como Chegar:

É só pegar o M10 (bonde) ou o S1, S2 ou S25 (trens) e descer na Nordbanhof. Por ali, pode-se começar a visita pela exposição sobre as estações fantasmas e ir caminhando por toda a parte do memorial, que fica a céu aberto.

Quanto Custa?

O passeio é gratuito. Todos os pontos que foram descritos aqui permitem livre acesso.

Horários

O prédio fica aberto de Segunda a Domingo de 08h às 22h.
A parte a céu aberto pode ser visitada sem restrição de horários.

Quantos joinhas da Carolina merece esse passeio?

 

Para quem curte história esse passeio é impactante. É muito fácil de chegar, gratuito e todo o material está soberbamente preservado e categorizado. Recomendo separar pelo menos uma tarde ou uma manhã para poder passar por todos os pontos de interesse com calma.
E você? Já visitou o muro de Berlim? O que achou? Conta para gente! Não se esqueça de assistir o vídeo que mostra nossa visita por lá e fiquem ligados que toda semana tem vídeo e post novo.
Até semana que vem!